Nosso
envolvimento com o Terrier brasileiro é antigo. Para
alguém que sempre gostou de cães, ter um Terrier brasileiro
era
um caminho natural. Lembro perfeitamente do dia que vi
um pela primeira vez. Um não, eram dois. Chamavam-se
Ouro e Prata. Pertenciam a um vizinho que acabara de
construir
sua casa e precisava de algum cão para cuidar do seu
quintal Como era veterinário, escolheu uma raça que além
das múltiplas
habilidades, tinha uma saúde invejável. Assim, comprou
esse casal. Como eram irmãos, não pode ficar com os dois
e escolheu a fêmea.
Para
os padrões atuais, para o meu nível de
exigência de
hoje em dia, talvez não fosse ótima, mas
era uma boa fêmea.
Era inteligentíssima. Logo, ele ensinou-a andar
na rua sem a guia e não sair correndo quando ele
entrava ou saía com o carro. Eu observava a tudo
isso com admiração.
Um
dia, essa fêmea foi
roubada. Passou um tempo e eu acabei casualmente encontrando-a
na vizinhança. Como o vizinho conseguiu reavê-la,
me prometeu que um dia ao cruzá-la eu poderia ficar
com um filhote.
Foi o que fiz. A essa fêmea
que era filha de um cão que "os pais tinham
pedigree",
dei o nome de Brooke Shields, numa clara referência a beleza que eu via
nela. Esse ano é 1990/91.
Sobre
essa história de cão que "os pais
têm pedigree", é importante que todos saibam
que um criador sério sempre registra seus cães. Um pedigree
não é apenas um pedaço de papel onde constam os dados
do cãos e a árvore genealógica dele. O pedigree é, em
última análise, o mapa de um trabalho bem feito pelos
criadores até chegar aquele animal. Estudando-se um pedigree
sabemos se o animal a que ele corresponde tem inclusive
potencial para desenvolver doenças que são mais comuns
em algumas linhas de sangue. Desvios de comportamento
também são facilmente identificáveis pelas linhas de
sangue apresentadas. Um pedigree custa muito pouco pelo
que representa. Nos dias atuais, cerca de R$ 30,00. Se
for comprar um cão, sempre exija o pedigree de seu filhote.
Se o criador, não quiser fornecê-lo ou alegar
que é mais caro, procure outro, pois não se trata de
um criador sério.
Um
dia, lá pelo ano de 1995, num trabalho que fazia para
a faculdade de Direito, encontrei na bibliteca uma revista
de cães e lendo-a soube de um importante trabalho que
alguns criadores de Terrier brasileiro faziam. Entrei
em contato com alguns deles e fui me envolvendo naquele
projeto. Mais tarde, comprei uma fêmea, com pedigree
e com ela tirei uma cria. Os filhotes eram puros e razoáveis,
e fui picado por essa "mosquinha azul" da criação. Dali
em diante, viajei muito, fui a vários estados e conheci
muitos criadores.
A
grande virada de qualidade começa com a minha visita
a um conceituado canil gaúcho, chamado Terra da Pituva.
Ali vi uns cães maravilhosos que pertenciam ao que eu
chamo de "Eldorado do Terrier brasileiro". Esse ano é
1998 e essa geração da década de 90 mudou positivamente
a raça. Se há hoje entre meus cães algo
de muito bonito, eu credito a minha fraterna amizade
com esse criador,
Dr. Celso Bittencourt dos Anjos.
Do
Terra da Pituva, eu trouxe alguns ótimos cães e o primeiro
deles foi o
Zé Bento do Terra
da Pituva. Era um azougue. Tinha uma estrutura forte
e compacta. Tinha um temperamento incansável. Com ele,
foi amor á primeira vista. Por causa dele, comecei
a gostar de cães com mais temperamento, com mais atitude,
sem perder a afetuosidade típica da raça. Infelizmente,
foi roubado. No pouco tempo que estivemos juntos, tive
a certeza que sempre teria um cão desses comigo. A convivência
rica que me proporcionou, me fez acreditar que muitos
que desejam um cão de companhia, para ser o cão da família,
cuidar da casa, fazer algum esporte, enfim, um companheirão
que topa qualquer parada, deveriam pensar seriamente
em um Terrier brasileiro.